Seu relógio sabe muito sobre sua saúde. E agora?

1 curtida

Tem tanta coisa pra comentar, mas tem pontos principais que eu acho mais importantes.
O primeiro, claro, é questão de privacidade. Dados sobre saúde deveriam ser fortemente protegidos e tratados com segurança alta. O ideal é que esses dados ficassem única e exclusivamente no dispositivo, mas acho bem improvável que esse seja o caso com a maioria dos dispositivos.

O segundo ponto é sobre o estudo mencionado.
Eu acredito que seja esse:

O estudo focou no diagnóstico de fibrilação atrial, uma condição de arritmia cardíaca mais comum em pessoas idosas que causa batimentos cardíacos irregulares e pode causar um AVC. O estudo não usou o ECG do Apple Watch.
419.297 participantes, dos quais 2.161 (0,52%) receberam um aviso sobre pulso irregular e receberam um patch de ECG. Desses, 450 (20%) devolveram o patch com os dados para serem analisados. Do total com dados analisados, 153 (34%) foram diagnosticados com fibrilação atrial.
Desses, 86 participantes foram notificadas de pulso irregular enquanto estavam usando o patch de ECG. E desses 86, 72 mostraram evidências de terem fibrilação atrial, o que dá um valor de predição de 84%.
Esse 84% que parece ser o valor que é usado pra justificar que o relógio é “capaz de ter uma boa acurácia no diagnóstico”.
Mas estamos falando de um grupo de 86 pessoas.
Os mais de 400 mil participantes no começo não dizem muito sobre os 84% e é importante ter isso em mente.
Tem um vídeo do Medlife Crisis que fala um pouco mais sobre isso que eu acho interessante:

Ele fez outro vídeo em 2018 sobre o Apple Watch também que eu acho que ainda é válido, apesar de ter sido antes desse estudo ter sido publicado:

Em suma, a questão é qual o real benefício de todos esses dados. É bom ter? Pode ser, mas desde que você não caia numa situação de quase hipocondria.

Já eu penso que esses dados deveriam servir para o coletivo. Não que as informações específicas de um indivíduo sejam usadas para fins de aplicabilidade da ciência médica, mas semelhante ao que o IBGE faz, por exemplo. Coleta informações, mas o nome do informante é mantido em sigilo e as informações coletadas são divulgadas em conjunto com outras para se ter um parâmetro das estatísticas de um município, região, estado, país.

Ou mesmo o que já acontece na própria medicina. Os dados de pacientes são analisados para detectar padrões e melhorar os conhecimentos médicos, aprimorando os diagnósticos.

Mas é claro que há exceções em todos os níveis, em todos os meios.

Fugindo um pouco das discussões acima e focando no meu caso em particular, desde a MiBand2 não fico sem um smartwatch no pulso. Tive as Mis 2, 3, 4, fui pra um Amazfit GTS1 e agora estou no Galaxy Watch Active 2.

Gosto muito de todos os dados que eles me apresentam, mas o monitoramento de sono é o que mais foco a atenção. Tenho ECG no relógio atual, mas uso muito pouco.

O Active 2 tem umas métricas muito boas para corridas, mas não é muito do meu interesse. Em resumo, ele é o mais completo que tive até o momento.

1 curtida

Seria deveras interessante e eu concordo que pode haver benefício em se agregar e analisar dados da população.
O problema é você conseguir coletar e tratar os dados direito para garantir a privacidade antes de disponibilizar pra analisar.

Tem pesquisa mostrando que você não precisa de muitos dados “anonimizados” para conseguir “desanonimizá-los”.
https://www.nature.com/articles/s41467-019-10933-3/

Penso que o ideal é o usuário poder decidir se quer compartilhar seus dados médicos ou não. Você ir a uma consulta e poder mostrar seus dados médicos obtidos pelo Watch, pode ajudar a preencher lacunas no diagnóstico.