É possível “piratear” NFTs com o botão direito do mouse? Não é tão simples

Se alguém vê minha obra e oferece 0,5 ETH por ela, então ela vale isso.

Não, não vale. Preço é o que se paga, valor é o que se recebe. E valor e preço são duas coisas distintas, embora relacionadas.

Algo pode ter um valor imensurável, e não ter preço algum (lembram da propaganda da MasterCard? haha). Semelhantemente, algo pode ter um preço absurdo, mas ter um valor muito baixo (a exemplo, nós temos algumas ações na bolsa, quando se tem uma euforia no mercado).

Se você adquire, por exemplo, um NFT por 1 ETH (e praticamente só você aceitou pega-lo por esse preço), e depois quer se desfazer dele, mas as pessoas não estão dispostas a pagar nem 10% do que você pagou, então, na verdade, desde o início, o tal NFT não valia tudo aquilo.

É uma conversa complicada, pois evolve subjetividade e variações temporais (e muita euforia, principalmente por quem compra). Eu, particularmente, tenho bens de grande valor, mas que no geral, não tem preço que se pague (seja o mínimo ou o máximo que for). No mais, foi só pra esclarecer mesmo.

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Sim, é um ponto bom pra gente especificar melhor, pois é através dessa mentalidade que o setor de investimentos como um todo recebe a sua má fama, sendo taxada de “lavagem de dinheiro legalizada” na melhor das hipóteses e de esquema de fraude em massa na pior delas.
Eu particularmente tendo a alinhar minha bussola moral pra uma direção similar ao do criador do NFT Bay, no qual em suma pode ser resumido em “pagar fortunas em algo não palpável é vergonhoso, assim como criar métodos pra tornar ele artificialmente raro”, mas sei muito bem que isso não vai mudar o fato de que pessoas tendem a atribuir o conceito de “valor” de formas arbitrárias e vão abrir suas carteiras por isso. Porém acho válido a gente ficar de olho isso nisso pois é por conta dessa arbitrariedade descabida que muitos esquemas fraudulentos nascem, prejudicando aqueles que só querem consumir algo de forma acessível, e que de repente se tornou artigo de luxo sem valor aparente.
Isso me faz me lembrar um vídeo do Karl Jobst mostrando que até um item físico pode cair nas garras da especulação desenfreada por forjar uma escacez e demanda artificiais (e segundo um outro video de recente, acaba de ficar pior…)

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Do último parágrafo:

“Mas eu entendo, também não gosto de milionários (…)”

Ainda não sou um milionário, mas se eu tivesse um pensamento desse, jamais eu poderia me tornar algo que eu não gosto. Bizarro.

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Isso tende a ser fruto de de um malabarismo moral que muita gente ama comprar.
Okay, eu entendo que a discussão sobre a origem da riqueza de bilionários pra averiguar se a mesma se sustenta graças a atitudes antiéticas é plenamente válida, mas muita gente desce de cabeça nesse escorregador a ponto de jugar que toda riqueza é imoral, ponto. Mas o fato é que ambição é um desejo humano, e muita gente titubeia no discurso virtuoso quando a prosperidade pode lhes bater a porta.

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Resumo da história: NFTs são um comprovante de autenticidade, o que pode gerar valor a itens digitais, onde qualquer um que não se importe com isso pode baixar de graça e ser feliz.

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Achei a visão do autor muito romântica. Acredito que seja necessário ser um pouco mais pragmático quando tratamos de uma tecnologia nova.

As críticas que farei abaixo não são, de forma alguma, voltadas ao autor da matéria ou aos artistas que fazem uso da ferramenta. Tenho total consciência que a classe é muito desvalorizada e conheço de perto a realidade de quem tenta viver com a produção artística no Brasil.

Os NFTs são vendidos como ferramenta revolucionária para os artistas, mas, em verdade, não passam de uma tradução para o digital do mercado de arte tradicional.

E quando falo de mercado de arte tradicional, não me refiro aos artistas que fazem comissions ou coisas do gênero. Falo mesmo é do mercado de artes de grande valor, onde as obras produzidas por determinados artistas são vendidas por valores astronômicos, apenas por serem assinadas por essas pessoas (e também pra fazer determinadas manobras fiscais, já que a galera que tem grana pra isso não é boba).

O NFT é, então, mais uma maneira de entregar o mercado de arte à mais pura especulação financeira, sem qualquer apreço ao artista ou ao impacto artístico de determinada obra, visto que a tendência é que os únicos NFTs que possuam algum valor sejam os que pertencem a determinadas coleções ou que tenham sido produzidos por determinados artistas.

Há ainda a discussão sobre a “falsificação” do NFT. Como mencionado na matéria, existem diversas blockchains. E já existem inúmeros relatos de artistas que tiveram seus trabalhos mintados nessas blockchain para a geração de NFTs sem autorização prévia.
Como pode um artista se proteger desse tipo de fraude?

A suposta “escassez” mencionada na matéria também não é verdadeira, principalmente em relação ao ponto que levantei no parágrafo anterior. Ao contrário do que acontece em obras físicas, e ao contrário do que o autor gostaria que acreditássemos, a imagem que você salva quando clica com o botão direito é literalmente idêntica à imagem que está vinculada a um .txt de 10 milhões de dólares.

Também não houve menção do impacto ambiental extremamente agressivo que as transações em blockchain (e isso não é exclusividade dos NFTs) ainda trazem consigo. Apesar de existirem tentativas de blockchain mais “verdes”, a maior parte das transições ainda acontecem dentro de blockchains “sujas”, como o BC e ETH.

Os entusiastas de tecnologia, em geral, pecam por não olhar para as novidades de forma crítica. Essas críticas são necessárias porque é uma tecnologia nova, com potencial para grandes coisas, mas que ainda é muito problemática. A nossa comunidade precisa apontar para esses defeitos para que essas novas ideias consigam ter o impacto positivo que almejam ter, e não apenas servirem de playground pra quem tem muita grana.

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NFTs é um negócio muito complicado.
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É uma parada que não é palpável e que não pode pendurar na sala da sua casa.
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Mas vendem como se fosse algo de outro mundo, baseado na premissa que “só você tem a verdadeira.”
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Mas é aquilo; Se tem quem compre, tem que vende.

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Esse episódio do Chaves/Chapolin resume bem o que é o NFT:
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Não me parece assim tão complicado.

Veja, imagine que vc vai até uma loja e compra um software: Windows, Office, Photoshop, ou um jogo.

Caixinha, manual, mídia e tudo (me senti em 2010, agora).

você pagou pelo material físico, pelo conteúdo digital mas, principalmente, pela LICENÇA de uso.

não é porque você pagou o valor que seja que você esteja autorizado a copiar e distribuir aquele conteúdo. você adquiriu o direito de usá-lo.

voltando um pouquinho mais no tempo, podemos pensar em fitas VHS e Cassete, Vinis e Livros!

você compra o produto físico, palpável, e você compra o conteúdo (que é o que te interessa) - sejam os sulcos no vinil, as informações na fita magnética ou os caracteres impressos nas folhas de papel. Mas, principalmente, você compra - também - o direito ao consumo.

pirataria é justamente utilizar algo protegido por direitos (sejam comerciais ou autorais) sem ter sido autorizado. Você não pode tirar xerox de um livro, mesmo que tenha pago por ele. Assim como você não podia reproduzir/copiar CDs e DVDs, assim como também é ilegal dar CTRL-C/CTRL-V numa imagem ISO do Windows/Office/Photoshop.

Uma errata sobre o último parágrafo: O problema não é a cópia em si. Ninguém vai preso se der ctrl-c/ctrl-v na imagem ISO que tem no computador. O que é proibido/protegido é a distribuição. Você precisa ser autorizado a colocar esse ISO em uma cloud e compartilhar o link, assim como vc precisa ser autorizado a distribuir (ou vender) os xerox dos livros que você comprou.

o NFT é o certificado de garantia de direitos, sejam eles quais forem, sobre a obra registrada. Não me parece tão complicado, mas vai dar tanto pano pra manga quanto já deram livros, vinis, CDs e DVDs

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“No entanto, esse arquivo de imagem não possui nenhum valor e tampouco configura um ativo digital, com autenticidade garantida” - O que você quer dizer com autenticidade? O criador de uma arte pode ter inúmeros endereços de carteira. Como você irá saber que o endereço XYZ pertence também ao artista?

“Na realidade, é impossível copiar ou piratear o token em si.” - Por favor, defina o que é “piratear” no mundo digital. Se eu pegar a imagem e criar um novo NFT (com minha chave privada), eu não estaria copiando/pirateando o token? No caso do mundo físico, se eu pegar a imagem do rótulo de um vinho famoso e colocar numa garrafa de um vinho de baixa qualidade, eu não estaria copiando/pirateando o vinho?

“No entanto, isso só é possível porque quem está comprando um desses tokens sabe que terá um certificado de autenticidade e que aquele NFT será único para sempre.” - Certificar é uma palavra muito forte. Existem mais de 20 milhões de NFT criados no OpenSea e um artista pode ter inúmeros endereços de carteiras. Como é que você vai certificar que o token 123 foi criado por Fulano?

“é possível realizar contratos que permitem especificamente que essas imagens sejam armazenadas de forma mais segura. Por isso, existem ‘chains’ mais seguras que outras para se criar NFTs”.” - Outras chains? Desculpe, mas é necessário expor aqui o básico sobre armazenamento de arquivos. Ex.: se um computador que possui a única cópia de um arquivo tiver o seu HD ou SSD destruído, o arquivo poderá ser acessado novamente?

“O NFT é o certificado de posse e de autenticidade, e é por isso que ele tem valor.” - Existem mais de 20 milhões de NFTs no OpenSea. Você está me dizendo que todos os 20 milhões possuem valor, até aqueles que fazem apologia ao nazismo?

“Hipoteticamente, se você baixar uma obra já registrada como NFT, e criar um outro NFT para ela, seu token não terá valor algum.” - Você conhece todos os sites de venda de NFTs espalhados pela web pra ter certeza que ninguém irá vender ou comprar uma obra pirateada?